Foto
Tombo: Rochelle Costi

Abertura: sábado 22 de setembro de 2012 às 11:00h

Ao Viajante | Clínica Oculística
Tombo, de Rochelle Costi por Marta Bogéa

“Demolição do prédio. Grande liquidação”, anunciam cartazes na fachada do edifício à direta do negativo de vidro na Travessa da Esperança; ao lado, na cidade em plena transformação, dois letreiros chamam a atenção: “Ao viajante” e “Clínica oculística”. Belas pistas para seguir atravessando o território proposto por Rochelle Costi na Casa da Imagem.

Os negativos, fotografias de Aurélio Becherini1,  assim como as fichas de B. J. Duarte2,  aparecem fotografados dentro da área de estocagem e preservação. Cidade dentro de fichas, dentro de salas, como lugares inesperados vislumbrados na caixa-cápsula prenhe de tantos relatos. Sobreposições de tempos e espaços que encanta pelo ordinário da vida naquilo que ela pode trazer de extraordinário. Levam a uma espécie de suspensão típica de quando revisitamos, surpresos, paisagens esquecidas e, com alegria e certo susto, reconhecemos novas paisagens.

No centro da sala, em certa “desordem”, encontram-se seis arquivos. Ao bordejá-los com atenção, descobrem-se inseridos, de modo improvável, olhos mágicos. O dispositivo ótico amplia e distorce a profundidade da gaveta reinventando sua escala. Transforma equipamentos de fotografia analógica, recolhidos no acervo do museu, em um distante e inesperado panorama animado.

Com objetos que até pouco tempo faziam parte do cotidiano da prática fotográfica, esses velhos, agora novos, artefatos, criteriosamente construídos, sofisticadamente iluminados, surgem como paisagens mágicas: reais e ficcionais. Ocupam o centro da sala de modo aparentemente aleatório, em um estágio de suspensão em que as coisas, fora do lugar, anunciam sua potencial partida ou sua iminente chegada. E tudo a girar, a girar, a girar...

Na fronteira entre memória e esquecimento, na forma engenhosa em que esquecer a literalidade do fato abre caminho para o novo e, ao mesmo tempo, lembrar nos permite não esquecer de nós mesmos, o passado, na obra de Rochelle Costi, parece ter esquecido que passou.

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1“Becherini foi um fotógrafo preocupado com tudo aquilo que estava em vias de desaparecer e, ao mesmo tempo, com as novidades que adentram o espaço urbano.” FERNANDES JÚNIOR, Rubens. Aurélio Becherini. São Paulo: Cosac Naify, 2007. Qualquer semelhança com Rochelle Costi não é mera coincidência! O primeiro negativo, Rua Marechal Deodoro, 1910; o segundo, Vale do Anhangabaú, 1912.
2Sobre o laborioso processo de catalogação na antiga seção de iconografia feito por B. J. Duarte, no qual esteve de 1934 a 1964, ver: DUARTE, B. J. Caçador de imagens. São Paulo: Cosac Naify, 2007.


To the Traveler | Oculistic Clinic
Rochelle Costi’s Fall by Marta Bogéa

“Demolition of the building. Great sale”, say the posters on the façade of the building at the right of the glass negative in Travessa da Esperança; next to it, amidst the transforming city, two signs call our attention: “To the traveler” and “Oculitic clinic”. Good clues to keep crossing the territory proposed by Rochelle Costi in Casa da Imagem.

The negatives, photographs by Aurélio Becherini1,  along with the notes by B. J. Duarte2,  appear photographed inside a storage and maintenance area. A city inside notecards, inside rooms, as unexpected places glimpsed in the capsule-box pregnant of so many stories. Juxtapositions of times and spaces that enchants us by the commonplace life found in that which it can bring as extraordinary. They produce a kind of typical suspension we feel when revisiting in awe forgotten landscapes and when, with joy and same perplexity, we recognize new landscapes.

In the middle of the room, in certain disarray, there are six archives. By circulating them with a bit of attention we find eyeholes inserted on them in a random way. The optical dispositive expands and distorts the depth of the drawer, reinventing its scale. It transforms equipment of analogical photographic, taken from the museum’s archive, into a distant and unexpected animated panorama.

With objects that until not long ago were part of the photographic practices, these old, but now new artifacts, zealously  built and sophistically lit, appear as magical landscapes: both real and fictional.  They occupy the center of the room in an apparently random way, in a state of suspension in which things, once displaced, announce its potential departure or imminent arrival. And everything turns, turns, turns…
 
On the border between memory and forgetfulness, the ingenious way in which to forget the literality of the fact opens way for the new and, at the same time, to remember allows us not to forget ourselves, the past, in Rochelle Costi’s work, seems to forget its own passing.

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1“Becherini was a photographer concerned with all that was about to disappear and, at the same time with the novelties introduced in the urban space” FERNANDES JÚNIOR, Rubens. Aurélio Becherini. São Paulo: Cosac Naify, 2007.  Any similarity with Rochelle Costi is not coincidence. The first negative, Rua Marechal Deodoro, 1910; the second Vale do Anhangabaú, 1912.
2About the painstaking cataloguing process in the old iconography sector  created by B. J. Duarte, in which he was located from 1934 to 1964, see: DUARTE, B. J. Caçador de imagens. São Paulo: Cosac Naify, 2007.


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