Foto
Bienal no Museu da Cidade

30ª BIENAL DE SÃO PAULO
A IMINÊNCIA DAS POÉTICAS


Em parceria com a 30ª Bienal de São Paulo, o Museu da Cidade apresenta instalações de arte contemporânea na Casa do Bandeirante, Casa Modernista e Capela do Morumbi.

Sob o título A iminência das poéticas, a 30ª Bienal de São Paulo tem como centro curatorial os temas da multiplicidade, transicionalidade, recorrência e permanente mutabilidade das poéticas artísticas. A ferramenta fundamental da 30a Bienal de São Paulo é a noção de "Constelação". Em vez de focar em alguns artistas ou obras, a exposição apresentará ao público constelações de trabalhos diferentes artistas que compartilham um tema, processo ou ideologia.

A metáfora da constelação simboliza também a forma como a Bienal está acontecendo, em locais diferentes por toda a cidade reconhecendo-a como tecido histórico em analogia com o presente. Além da exposição principal no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera A Iminência das Poéticas, tem lugar na Casa Modernista, Casa do Bandeirante, Capela do Morumbi, Estação da Luz estação de trem, o Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (Mab-Faap), Instituto Tomie Ohtake e na Avenida Paulista.

Casa do Bandeirante:
Hugo Canoilas: Pássaros do Paraíso
Abertura dia 05/09 às 15h
Exposição até 09 de dezembro de 2012


Parte do conjunto de intervenções que acontecem fora do Pavilhão da Bienal, o artista plástico português Hugo Canoilas esteve no Brasil, no mês de junho, dando início ao trabalho que apresentará na 30ª Bienal de São Paulo - A iminência das poéticas. Intitulada Pássaros do Paraíso, a intervenção de Canoilas interliga um trabalho inserido na Casa Bandeirante, localizada no bairro do Butantã, em São Paulo, a um projeto de viagens no interior do Estado para intervenções efêmeras e recolha de material audiovisual.

Durante o período de 16 de junho a 5 de julho de 2012, o artista recriou o caminho percorrido pelos Bandeirantes, partindo de São Paulo para o interior sem fixar-se em locais determinados, para experiência, recolha de material visual e áudio, e intervenções na paisagem ou nas populações por onde passa. Essas obras seguem uma série de intervenções urbanas que Canoilas vem realizando nos últimos anos, sobretudo a Povo sem título (Fundação EDP, 2010), série em que interviu nas ruas de Lisboa usando textos diversos mesclados aos ambientes. Em Pássaros do Paraíso, Canoilas incorpora um conjunto de leituras - que vão de Mário de Andrade a Roberto Piva - aos locais que visitou, gerando textos in situ (imagens-frase), quase sempre em choque com os ambientes encontrados. Os registros de vídeo e áudio, e as fotos das intervenções obtidas durante as viagens servem de base para a intervenção na Casa dos Bandeirantes, que também terá pinturas do artista e outros objetos em torno da história dos Bandeirantes que tomam todo o espaço expositivo.

Casa Modernista:
Sergei Tcherepnin
Abertura dia 05/09 às 18h
Exposição até 09 de dezembro de 2012


O artista multimídia norte-americano Sergei Tcherepnin produzirá uma instalação audiovisual em razão na 30a Bienal de São Paulo. A instalação faz parte de Reverso, uma extensão das zonas curatoriais Sobrevivências, Alterformas, Derivas e Vozes estipuladas pelo curador da mostra Luis Pérez-Oramas, que atua como uma continuação da exposição para fora do Pavilhão Ciccillo Matarazzo. No caso de Tcherepnin, essa extensão se dará na Casa Modernista, localizada no bairro da Vila Mariana, em São Paulo.

Fruto de uma parceria com o artista japonês Ei Arakawa, a instalação intitulada Looking at Listening (2001) é composta por uma série de seis painéis de metal (cinco nas paredes e um no chão) equipados com alto-falantes dispostos na parte de trás das superfícies. Uma vez ativados, o som provocado pelos dispositivos "invade" a obra com ondas sonoras, proporcionando ao expectador uma série de experiências que aguçam os sentidos. Os visitantes da Casa Modernista também serão incentivados a utilizar luvas para "manusear" as obras, com assistência de orientadores especializados durante as tardes.

Capela do Morumbi:
Maryanne Amacher
Abertura dia 05/09 às 10h
Exposição até 09 de dezembro de 2012


Na Capela do Morumbi serão instalados materiais visuais e gravações da compositora falecida e pioneira em arte sonora Maryanne Amacher (1938 - 2009). Formada em música, Amacher era performer, compositora e artista multimídia conhecida por seu pensamento original e suas dramáticas encenações de musica e sons em relação à arquitetura desde 1960. Suas instalações sonoras experimentais e obras multimídia muitas vezes precisavam de de uma construção completa e formas radicais de ouvir como o centro de sua prática. No contexto de seu trabalho, a Capela Morumbi apresenta um desafio único acústico. O espaço foi construído utilizando a técnica de taipa de Pilão (típica arquitetura de São Paulo, usada entre os séculos 16 e 19) que empregavam tábuas de madeira para levantar as paredes de terra úmida que permanecem até hoje.

Enquanto Amacher era viva, seu trabalho no local, em um diálogo altamente experimental entre materiais de áudio que desenvolveu a partir de final dos anos 60 a 2009, a acústica arquitetônica do local, e os temas muitas vezes derivava da ciência, ficção científica, e os aspectos da história do local. Materiais visuais foram usados para "encenar" o áudio através da criação de links para temas extra-sônicos e trazer o público para particulares pontos estratégicos de escuta. Este processo e os resultados de percepção desse diálogo para um visitante são talvez a forma mais precisa para identificar seus trabalhos artísticos. Como ela escreveu em vida inteligente "A prioridade real aqui não é o som e padrões que fazemos com os instrumentos musicais, mas os tons e formas que nossas mentes criam em resposta..."

Supreme Connections: Capela do Morumbi faz parte de um processo contínuo para revelar um modelo para a realização de uma adaptação do trabalho Amacher no local após sua morte. O compositor Micah Silver e o artista Robert The, co-fundadores do Amacher Maryanne Archive (Kingston, NY), usaram uma seleção de gravações e materiais visuais para instalar o trabalho na Capela como Amacher poderia ter feito. O projeto não é uma obra de Amacher, mas uma importante tentativa inicial de compartilhar as experiências que ela construiu durante sua carreira

Este projeto é acompanhado por uma sala de leitura e documentação, com documentação em vídeo da performance Dia/Noite, que Amacher desenvolveu para a Casa Serralves de Porto (Portugal) em 2002. Além disso também estará disponível fac-símiles de uma obra não realizada em que Amacher trabalhou por mais de uma década, e uma cópia de uma das obras favoritas Amacher de ficção científica, “Last and First Man” de Olaf Stapeldon.

Leandro Tartaglia: Obra em trânsito durante a 30a Bienal de São Paulo
(Obra do artista argentino ligará o Pavilhão da Bienal à Capela do Morumbi)


Na obra do argentino Leandro Tartaglia, um veículo parte do Parque Ibirapuera destino à Capela do Morumbi, para visitar a obra da artista Maryanne Amacher. O artista estará acompanhado por visitantes da exposição que quiserem participar da obra e que, durante o trajeto, usarão fones de ouvido para ouvir o diálogo entre uma argentina e um brasileiro sobre música, arquitetura e histórias locais de ambos os lados da fronteira. Ao chegar na Capela, o público visita a obra sonora ali instalada. Após essa experiência, o passeio veicular de volta ao parque incorpora, entre o diálogo das personagens, os paradigmas distintos entre a obra sonora da capela e a que ocorre no veículo.

A peça tem dois pontos geográficos fundamentais, a saída e a chegada, o parque e a capela. Estes dois locais se unem no espaço de formas distintas, parque-capela e capela-parque. Há uma razão para isso, o que se passa no segundo ato é diferente tanto no que diz respeito ao som quanto às personagens. O tempo sempre corre adiante, mesmo quando voltamos ao início. O percurso acontece de terça a sexta, das 13 às 16h, sábados e domingos, das 15 às 18h e terá duração aproximada da viagem ida-e-volta, 60 minutos.