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Ecco Narcisus - Hudinilson Jr.

Temporada: de 15 de agosto a 17 de outubro de 2010.

O Museu da Cidade de São Paulo apresenta em uma de suas unidades, a Capela do Morumbi, a exposição Ecco Narcisus, de Hudinilson Jr, um dos pioneiros no uso da arte xerox no Brasil, fundador, em 1979, do grupo 3nós3, com os artistas Rafael França (1957 - 1991) e Mario Ramiro (1957), que até 1982, realiza intervenções artísticas na paisagem urbana de São Paulo.

Em 1993, Hudinilson Jr. esteve na Capela do Morumbi na abertura do que acabaria sendo a última exposição de José Leonilson (1957 – 1993). Ao ver a instalação criada com objetos, roupas e bordados pelo artista, Hudinilson teve a certeza de que aquele seu trabalho apresentado um ano antes na Pinacoteca do Estado (SP) ficaria perfeito naquele espaço: um ambiente sem janelas, com paredes semelhantes a rochedos, em um lugar que fora sacro e seria suporte para um tema profano.

Hoje, quase duas décadas depois, a instalação Ecco Narcisus ganha uma nova montagem.  Duas figuras mitológicas são os pontos de partida para o trabalho. Segundo a mitologia, Echo (Ecco) era uma ninfa que, por ter desagradado a Juno, mulher de Júpiter e rainha de todos os deuses na mitologia greco-romana, foi condenada a repetir as últimas palavras de quem a interrogava. Outro mito conta que Echo teria amado Narciso com um amor não correspondido e, morta de dor, ficava a perambular e lamentar-se através das florestas. Já Narcisus (Narciso) era filho do deus fluvial Céfiso, e da ninfa Liríope, e dotado de uma beleza esplendorosa. Conquistava muitos corações, mas desdenhava das belas conquistadas. Enamorou-se de sua própria imagem, ao mirar-se numa nascente e precipitou-se nas águas. Sua imagem hoje é sinônimo de vaidade.

Ecco Narcisus é formada por três imagens impressas em papel termográfico (papel de fax) ligadas à iconografia cristã: de um lado, vemos um detalhe do Êxtase de Santa Teresa, a famosa e sensual escultura do barroco italiano criada por Bernini. Do outro, vemos um detalhe do rosto de Jesus da Pietá esculpida por Michelangelo e ao fundo se encontra a imagem fotográfica de um homem nu que o artista associa ao sudário, semelhante ao Santo Sudário de Turin (que se supõe, seria um “retrato verdadeiro de Cristo”, uma achiropita ou imagem “não realizada pela mão humana”).

“A técnica utilizada para reproduzir as imagens desta instalação é o sistema termossensível por meio de fax e a partir de matrizes em xerox. Estes meios de reprodutibilidade técnica foram apropriados por Hudinilson Jr. ainda no final dos anos 1970 e 80 e aqui voltam para resgatar o que hoje chamamos de low tech, isto é, meios tecnológicos simples e pouco sofisticados em comparação aos meios utilizados atualmente”, aponta Inês Raphaelian, diretora do Museu da Cidade de São Paulo. “Ao imprimir aquelas três figuras em tiras de papel termográfico, o artista também imaginou uma lenta dissolução das imagens impressas nesse tipo de papel que, quando exposto à claridade, vai se apagando, mal deixando os traços do que sobre ele foi impresso. Esse desaparecimento sem vestígios seria também relacionado ao mito, uma vez que na sua narrativa o corpo de Narciso jamais foi encontrado, certamente transubstanciado na flor que leva seu nome”, explica Mario Ramiro, artista autor do texto que acompanha a exposição.

Além dos três grandes painéis, a instalação traz no centro, no piso da Capela do Morumbi, uma grande superfície reflexiva formada por fragmentos de espelho, onde as imagens, os espectadores e o espaço arquitetônico se fundem em uma só.

Segundo Mario Ramiro, essa não é a primeira vez que Hudinilson se apropria do mito greco-romano de Narciso em seus trabalhos. Obcecado pela figura do belo rapaz que se enamora por sua própria imagem, a despeito do melancólico fim que o mito encerra, o artista vem explorando ao longo de vários anos as intrincadas relações presentes nessa estória. “Nas suas xerox-performances, o artista metaforizava ainda mais explicitamente o mito daquele que se encantou com seu próprio reflexo. Ao se debruçar sobre a superfície iluminada e transparente do vidro das copiadoras, Hudinilson protagonizou cópulas memoráveis entre um homem e uma máquina que lhe reproduz a imagem. Na estreita superfície daquele lago xerográfico o corpo do artista adquiriu expressões que são únicas na história recente daquilo que podemos chamar da imagem eletrônica na arte brasileira”, lembra Ramiro.

PALESTRA COM O ARTISTA
Em sintonia com a proposta da 29ª. Bienal de São Paulo de discutir as possíveis relações entre Arte e Política, a Capela Morumbi promove dia 28, sábado, às 14h, um encontro aberto ao público entre Mario Ramiro e Hudinilson Jr. Ex-integrantes do grupo 3nós3, os dois artistas vão discutir a produção de Hudinilson, como os Livros de Artista e a Arte Homoerótica.

Parte da produção de xérox-performance e arte postal, realizada pelo artista entre os anos 1970 e 1980 também poderá ser vista na exposição Arte Postal que o Centro Cultural São Paulo inaugura em setembro.

SOBRE O ARTISTA
Hudinilson Júnior (São Paulo SP 1957) é um artista multimídia. Cursa artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, entre 1975 e 1977. Experimenta múltiplas expressões artísticas como desenho, pintura, mail-art (arte postal), graffiti, xerografia (arte xerox), performance e intervenções urbanas, nas quais o corpo humano masculino é um tema recorrente. É um dos pioneiros no uso da arte xerox no Brasil. Em 1979, funda o grupo 3nós3, com os artistas Rafael França (1957 - 1991) e Mario Ramiro (1957), que até 1982, realiza intervenções artísticas na paisagem urbana de São Paulo. A partir de 1982, inicia a série Exercícios de Me Ver, que consiste na reprodução xerográfica de partes do próprio corpo, com exposições na Galeria Chaves, Porto Alegre, e no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP em 1983. Seus trabalhos em graffiti, utilizando estêncil, são elaborados desde meados da década de 1980, no mesmo período, conhece Alex Vallauri (1949 - 1987), de quem recebe orientações e o acompanha em alguns trabalhos. Em 1984 participa da 1ª Bienal de Havana e da exposição Arte Xerox Brasil, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, da qual é o curador. Expõe na 18ª Bienal Internacional de São Paulo em 1985 e na 3ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, em 2002.



ECCO NARCISUS - Hudinilson Jr.

Capela do Morumbi

Avenida Morumbi, 5.387 - Morumbi, São Paulo
Fone: 11. 3772 - 4301


Abertura para convidados: 14 de agosto, das 14h às 17h;
Temporada: de 15 de agosto a 17 de outubro;
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 17h;

Entrada gratuita
Informações e agendamento de visitas orientadas:
museudacidade@prefeitura.sp.gov.br
www.museudacidade.sp.gov.br


INFORMAÇÕES À IMPRENSA
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