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Ambientes Modernos: a casa da Rua Santa Cruz, de Gregori Warchavchik...

Exposição inaugural, com curadoria de Mauro Claro, que marca a reabertura da Casa Modernista da Rua Santa Cruz, em Vila Mariana, São Paulo, à visitação pública.

Projetada pelo arquiteto ucraniano naturalizado brasileiro, Gregori Warchavchik, e construída entre 1927 e 1928, é tida pela crítica de arquitetura como a primeira construção brasileira a empregar repertório formal integralmente moderno e, por essa qualidade, valorizada como marco estético de nossa modernização. Foi, também, a casa onde viveu durante toda a sua vida, com sua mulher Mina – que idealizou e implantou os jardins da casa, precursores de um abrasileiramento no trato paisagístico – e os filhos Anna Sonia e Mauris.

A arquitetura moderna não fez parte, como se sabe, da Semana de 22, marco da absorção antropofágica do modernismo no país. Sua chegada deu-se um pouco adiante no tempo, pela mão de arquitetos como Gregori Warchavchik, Rino Levi, Lucio Costa, Flávio de Carvalho.

Warchavchik é um caso especial dentro desse grupo de pioneiros, pois, formado na Ucrânia e na Itália, chega ao Brasil em 1923 já com um repertório moderno relativamente consolidado, antes portanto de seus colegas arquitetos brasileiros de fato se terem a si próprios como modernos. Integra-se rapidamente, por meio de sua extensa obra construída e de seus escritos e militância profissional, ao grupo de intelectuais brasileiros que faria, nas décadas seguintes, da estética moderna – na arquitetura como na cultura em geral – um fato do cotidiano, entranhado na vida das grandes metrópoles.

A casa da Rua Santa Cruz, com outras residências projetadas e construídas pelo arquiteto naqueles anos constitui uma obra cuja importância foi imediatamente reconhecida – não sem discordâncias, é bom que se diga – gerando intensos debates entre os que, profissionais e intelectuais, se preocupavam, naquela época como hoje também, com a incorporação da modernidade (hoje pós-modernidade) entre nós.
Na exposição em andamento, a Casa Modernista da Rua Santa Cruz será cotejada com algumas outras casas da modernidade, de arquitetos brasileiros e estrangeiros. A idéia é mostrar ao visitante um pouco da variedade inerente ao chamado “movimento moderno” na arquitetura da primeira metade do século XX. Todos os arquitetos escolhidos conceberam e construíram espaços com alto grau de flexibilidade – embora sempre marcados por soluções singulares – como se pode ver pelas fotos que compõem a exposição.

Sabendo que essa flexibilidade é própria da arquitetura moderna, o visitante poderá compreender e valorizar as mudanças que a casa da Rua Santa Cruz sofreu em 1935 na disposição e no tamanho dos aposentos e das áreas de circulação, na maior importância do acesso lateral em detrimento do frontal, na alteração de elementos da caixilharia e na redivisão dos dormitórios. Todas obedeceram a uma lógica que a construção já tinha e a obra, vista em sua transitoriedade, atesta de maneira ainda mais rica o valor dessa arquitetura frente à característica dinâmica, fluida e mutante da vida que São Paulo, e o país, passariam a conhecer a partir de então.

Gregori Warchavchik, nascido em 1896 na cidade de Odessa, na Ucrânia, veio a falecer em São Paulo em julho de 1972, deixando uma obra de importância ímpar na arquitetura moderna brasileira, ainda não completamente estudada, apesar das cuidadosas análises que vêm sendo publicadas recentemente e dos vários estudos e teses acadêmicas que, desde o estudo inaugural de Geraldo Ferraz, em 1956 na revista Habitat, enriquecem e possibilitam sua compreensão.

*Foto: Fabio Cintra

Casa Modernista
Rua Santa Cruz, 325
Vila Mariana, São Paulo, SP
Fone: 11 5083 3232
Aberta de terça a domingo, das 9 às 17h
Entrada franca. Visita orientada.