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Memória da Terra Cultura dos índios kadiwéu é tema de obras expostas na Casa do Bandeirante

Memória da Terra nasceu de um encontro. De um encontro, da convivência e da observação da produção artística das mulheres da comunidade indígena kadiwéu, localizada no pantanal sul-mato-grossense.

A arte kadiwéu, até o século XIX, caracterizava-se por apresentar grafismos geométricos compostos por espirais, volutas e meandros, organizados de infinitas maneiras, aplicados principalmente nos corpos e na cerâmica produzida pelas mulheres. A prática da pintura corporal, atualmente, ocorre raramente em decorrência do hábito de usar vestimentas. Assim sendo, a memória dos significados dessa iconografia complexa e simbólica perdeu-se no tempo, ao contrário do que ocorreu com a cerâmica, que se revigorou na segunda metade do século XX e é o atual suporte dos padrões característicos de cada família de ceramistas.

Memória da Terra surge da aproximação dos processos de produção, formas, cores e padrões Kadiwéu e o resultado é apresentado nas duas produções: a série de tigelas e as representações do João-bobo.

As tigelas são apresentadas em três tamanhos que se encaixam, representando a transmissão do conhecimento da técnica de fabrico da cerâmica de geração a geração. O João-bobo encerra a idéia da persistência, da inserção do índio nas sociedades atuais. 

A modelagem pela técnica do acordelado foi mantida. Na superfície das tigelas foram aplicadas imagens das mãos das índias trabalhando o barro e sobre cada João-bobo foi aplicado um padrão de pintura corporal em uso até o final do século XIX.

Memória da Terra apresenta a persistência do índio brasileiro que, enquanto mantiver vivo seu idioma, seus rituais e a sua arte, como o João-bobo se levantando enquanto tentam derrubá-lo, permanece.

De 31 de maio a 07 de setembro de 2008, a artista Vânia Pires apresentou obras fruto da pesquisa, da observação e do convívio com a comunidade indígena kadiwéu no pantanal sul-mato-grossense. O resultado plástico apresenta-se como uma metáfora da persistência do índio brasileiro para preservar sua cultura e tradições.