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A medida do tempo das coisas

Exposição de Daniel Malva

Há cerca de 200 anos, pelas ruas que cercam o Solar da Marquesa de Santos, trilharam caminho John Mawe (1807), Gustavo Beyer (1813), Martius e Spix (1817) e Saint-Hilaire (1818), entre outros viajantes e naturalistas que buscavam informações para suprir a catalogação do mundo que se desenvolvia na Europa.

Nas fotografias de Daniel Malva vemos algumas espécies exóticas e outras encontradas na fauna brasileira, que foram localizadas em coleções de história natural, exemplares que auxiliam o reconhecimento do elo com o pensamento científico do passado e sua tentativa de classificação das formas vivas. Entretanto, contradizendo as práticas descritivas – e da fotografia documental –, estas imagens surpreendem pela opacidade que impede a leitura de seus detalhes. Realizada entre 2008 e 2014, Museu de História Natural foi integralmente captada com uma lente desenvolvida para a série, sendo o software da câmera digital reprogramado. Juntas, essas alterações criaram imagens embaçadas, nas quais a identificação do objeto é apenas sugerida. O resultado alude ao olhar contemporâneo que, frente a tantas informações, refuta a leitura integral do mundo.

Em OJardim, série exposta ao público pela primeira vez, Malva utilizou filme de grande formato e retomou o uso do equipamento analógico. Entretanto, a reconciliação com o foco, resultado de outra lente construída pelo artista, subordina-se ao confronto com a morte, representada pelas partes dissecadas do corpo humano, que o autor encontrou em laboratórios de anatomia. A visão dissonante – e por vezes amarga – reintroduz o argumento inicial sobre a passividade do olhar, mas o visitante que se envolve com a seriedade do que vê à sua frente é recompensado com imagens de grande eloquência.

No trabalho de Daniel Malva observamos um padrão de construção que enfatiza a criação do discurso e a elaboração da metodologia de registro antecedendo a produção das imagens, estratégia que o posiciona no âmbito da narração. São imagens que se distanciam das regras clássicas da composição, que incorporam a pesquisa e a experimentação dos limites da técnica e da beleza, este múltiplo e questionável conceito. Em suas fotografias, tudo converge ao objeto, transformando-o no universo de sua expressão. Para Malva, parte dele a medida do tempo das coisas.


Evento: A medida do tempo das coisas
Abertura: 7 de novembro de 2015 
Período expositivo: de 7 de novembro de 2015 a 20 de março de 2016

Local: Solar da Marquesa de Santos
Sede do Museu da Cidade de São Paulo

Endereço: Rua Roberto Simonsen, 136
01017-020 - Sé – São Paulo SP
Telefone 11 3241 1081
Horário de Funcionamento: de terça a domingo, das 9 às 17 horas
Entrada gratuita